A extinção cresce cada vez mais,
Pode chegar a matar todos os animais!
Isso está errado, muito mal selecionado.
Por que o governo não acaba com isso?
Ele não vê que tá matando tudo que é tipo de bicho!
A extinção acaba com tudo o que vê
Diante dela qualquer animal irá morrer
Logo, logo as flores irão se entristecer,
Sem nenhum animal pra melhorar aquele lugar.
Logo, logo a árvore será a próxima vítima
Que vai com a extinção se deparar
Vamos lutar, reivindicar, pra fazer ela acabar!
Preste bastante atenção, afinal, quantas espécies já foram parar na extinção
A extinção desagrada a gente, pois mata
Todos os tipos de bichos que estejam a sua frente.
Porque ele não faz prá flora e prá fauna uma proteção decente?
Minha gente, preste atenção nisso, a natureza corre um sério risco,
Como ter uma floresta sem nenhum bicho?
Carlos Henrique Assis Inácio
12 anos
Poeta
Nesta poesia, escrita por um pré-adolescente (que parece um bom poeta, pelos temas e formas de abordá-los), faz-se referência ao tema da extinção das espécies. A extinção é o caminho natural de toda espécie. Depois de Darwin, começamos a entender isso. Mas, o mais importante é que esse processo é discutido, hoje, como um dos maiores riscos à sobrevivência humana no planeta. Você saberia me dizer por quê?
Nesse poema, mesmo que o autor desconheça as causas, ele dá a explicação para o fato de a extinção de animais ser tão prejudicial a todos. Na segunda estrofe ele descreve o seguinte:
“Sem nenhum animal pra melhorar aquele lugar.”
Ai está a verdadeira causa dos problemas decorrentes da extinção da biodiversidade – vão ser encerrados alguns dos mais importantes serviços que ela nos presta. Por exemplo, a polinização.
Se você se alimenta de algum tipo de fruto (tomate, laranja, etc) você é dependente de animais, sabia? São eles que polinizam as flores e assim, formam-se os frutos que você come.
Em recente pesquisa publicada na revista Science, um grupo de pesquisadores, incluindo brasileiros, fizeram um apanhado dos principais serviços ambientais que vem sendo perdidos pela extinção ou decadência de populações de animais em todo o planeta. Em relação à polinização eles afirmam o seguinte: “a polinização, que está presente em 75% de todas as culturas alimentares do mundo e é responsável por 10% do valor econômico de toda produção de alimentos mundial, está seriamente em risco. Por exemplo, na Nova Zelândia, o declínio de aves polinizadoras conduz a uma forte limitação na disponibilidade de pólen nas plantas reduzindo a produção de sementes e frutos à situação de menos de 30% do seu potencial máximo.”
Estamos falando de vertebrados, como as aves e morcegos! E no caso dos insetos polinizadores? Há um declínio nas populações desses animais, que são menos estudados, em todo o mundo. Na Europa, onde há mais estudos, os lepidópteros (borboletas) já declinaram 35% nos últimos 40 anos! Os insetos como um todo sofreram um declínio maior do que 70% no mesmo período. Ou seja, a nossa alimentação que é baseada em consumo de produtos agrícolas está seriamente ameaçada pela falta de polinizadores!
Existem ainda outros serviços ambientais que vem sendo ameaçados, em outro trecho do artigo eles afirmam que:“ a perda do controle de pragas pelo declínio de morcegos na América do Norte podem causar a perda de mais de US$ 22 bilhões em produtividade agrícola”. Isso nos mostra o quanto temos perdido ou ainda podemos perder simplesmente pela extinção de espécies, um tema que parece simples e afastado de nosso cotidiano, mas que afeta nossa vida a cada refeição.
Israel Carvalho
Mestre em Ciências Ambientais e Professor de Biologia/Química